segunda-feira, 7 de maio de 2012

Óleo de coco emagrece mesmo?

 Todos estão de olho nele, a bola da vez em termos de perda de peso. Mas sua eficácia divide opiniões. Fique por dentro e avalie se vale a pena investir no alimento.
Por: Thaís Manarin
Fonte: Revista Saude Abril

Se tem um óleo que pode ser considerado o queridinho do momento, é o de coco extravirgem. Extraído do fruto maduro, ele virou febre principalmente entre aqueles que desejam se livrar de vez das dobras que teimam em se espalhar por diversas partes do corpo.

Para pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, todo esse auê é compreensível. Eles prescreveram uma dieta de manutenção de peso a 30 homens com um grau de obesidade leve. Enquanto metade consumiu 1 colher de sopa cheia de óleo de coco todo santo dia, a outra teve de engolir óleo de soja, na mesma porção.

Em 45 dias, o resultado agradou: apesar de o óleo proveniente da fruta ser cheio de gordura saturada e calorias, ele ajudou a reduzir o índice de massa corporal, o volume de gordura e a circunferência na cintura de quem o incorporou à dieta. Além disso, contribuiu para o aumento de massa magra, ou seja, músculo puro. "Há o caso de um paciente que perdeu cerca de 7 quilos", revela a nutricionista Christine Erika Vogel, uma das responsáveis pela investigação.

De acordo com a especialista, o óleo auxiliaria no emagrecimento porque carrega um tipo de gordura conhecido como triglicerídeo de cadeia média, com destaque para o ácido láurico. E esse tal de ácido láurico gera energia na célula de forma acelerada. "As outras versões precisam de uma enzima para realizar esse processo, acumulando-se mais facilmente na forma de gordura corporal", explica. Na prática, o óleo de coco turbinaria o gasto energético, favorecendo, assim, a degola dos pneus.

As qualidades desse derivado do coco não se resumem à sua capacidade de botar lenha no metabolismo. "Assim como outros óleos e gorduras, o produto derivado da fruta retarda o tempo de esvaziamento gástrico, proporcionando maior sensação de saciedade", diz a nutricionista Andréia Naves, que é diretora da VP Consultoria Nutricional, em São Paulo.

Dessa forma, a quantidade de comida que vai ao prato ao longo do dia tende a ser menor - seria o fim dos ataques desenfreados de gula sem tanto sacrifício. "Aliado a uma alimentação equilibrada e à prática regular de atividade física, esse efeito auxiliaria no emagrecimento", avalia Andréia.

Para Ana Carolina Gagliardi, nutricionista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo, o Incor, não há dúvidas sobre o poder das gorduras em deixar a barriga empanturrada. "Ainda assim, o papel do óleo de coco no processo de perda de peso é muito controverso", pondera. "É que as pessoas que o consumiram durante os estudos também seguiram uma dieta com restrição de calorias. Por si só, isso já torna o emagrecimento presumível."

"Realmente, não adianta ingerir o óleo de coco e exagerar nos salgados, nas frituras e nos doces. Não há milagres. Para emagrecer, é preciso mudar o estilo de vida", concorda Christine, pesquisadora da UFRJ. Só para constar, cada grama de óleo de coco reúne 9 calorias. Portanto, incorporá-lo à dieta sem providenciar mudanças no restante do cardápio não fará com que o ponteiro da balança tombe.

"A recomendação é que 25 a 30% de nossa alimentação seja composta de gorduras, sendo que no máximo 7% devem vir das saturadas, como as presentes no óleo de coco. Então, quem usar o ingrediente precisa investir em alterações na rotina, como preferir carne magra e tomar leite desnatado", avisa a nutricionista Ana Carolina.

Extravirgem ou refinado?
Se bater a dúvida, opte pelo primeiro sem pestanejar. "A versão extravirgem é obtida da carne do coco maduro, que pode ser fresco ou seco", conta Bruna Murta, nutricionista da rede Mundo Verde, em São Paulo. "Nesse processo, não são empregados solventes químicos nem altas temperaturas. "Por outro lado, o produto refinado, ou virgem, apresenta perda de uma parte dos antioxidantes. "Por isso, seus benefícios são comprometidos", conclui Bruna.

Polêmica à vista
Além do aspecto da saciedade, os outros benefícios relacionados ao óleo de coco não são vistos com tanta empolgação por uma boa parte de especialistas, já que o fato de ser formado por gorduras saturadas do tipo triglicerídeo de cadeia média não é considerado exatamente uma grande vantagem.

"De fato, eles são processados com maior rapidez. Mas gerar energia não é o mesmo que dissipá-la como calor", informa Rosana Radominski, endocrinologista e presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. "Ela pode ser usada para ajudar a acumular gordura no corpo, caso a ingestão calórica seja maior do que o gasto."

O também endocrinologista Alfredo Halpern, do Hospital das Clínicas de São Paulo e autor do livro A Nova Dieta dos Pontos para Crianças e Adolescentes, recém-lançado por SAÚDE, vai na mesma toada: "Talvez a gordura saturada de cadeia média possa fazer menos mal do que a de cadeia longa. Daí a dizer que emagrece é absurdo. Ela engorda tanto quanto as outras".

É bom frisar que rechear a mesa com alimentos gordurosos merece atenção redobrada não só porque dispara o risco de obesidade, epidemia que está por trás de uma série de doenças - de males cardiovasculares a câncer. A digestão vagarosa, por exemplo, pode ser um problema para certas pessoas. "Uma dieta rica em gordura é capaz de piorar os sintomas de quem já sofre com um processo digestivo mais lento ou tem histórico de refluxo", conta o gastroenterologista Ricardo Barbuti, que integra a Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Outro grupo que deve pensar duas vezes antes de regar sem pudor os pratos com óleo de coco é o de pacientes diagnosticados com esteatose hepática, quando o fígado entra num processo de engorda. "Devido à sua composição, o alimento pode aumentar a dimensão do problema", esclarece a nutricionista Andréia Naves.

Camuflado no prato
Não tem jeito: nem todo mundo é fã do sabor pronunciado da fruta. Se for desse time, anote a dica: "Antes de refogar os alimentos, deixe o óleo por mais tempo em fogo brando para que o aroma se dissipe", aconselha a nutricionista Christine Erika Vogel, da UFRJ. Caso queira temperar saladas, o óleo pode ser misturado ao azeite. Já em pratos com peixes e frutos do mar, seu sabor entra como um excelente complemento.

E o coração?
Além de notar a redução de peso dos voluntários, os cientistas da UFRJ encontraram evidências de que o óleo de coco extravirgem ajudou a elevar as taxas do HDL, o bom colesterol, e freou o desenvolvimento do LDL, um algoz do peito. "Alguns estudos já demonstraram que os triglicerídeos de cadeia média reduzem a produção de uma lipoproteína chamada VLDL, associada ao aumento do LDL", lembra a pesquisadora Christine.

Mas está aí outro tema que incita um acalorado debate. É que a gordura saturada, independentemente de ser de cadeia média ou longa, é reconhecida por aumentar os dois tipos de colesterol, especialmente aquele que ameaça a saúde. "Logo, o óleo de coco não é indicado nem para prevenir nem para tratar doenças cardiovasculares. Pior do que esse tipo de gordura, só a trans, já que estimula a produção de LDL e reduz o HDL", adverte Ana Carolina, do Incor.

Justamente por suscitar dados contraditórios, não é de surpreender que os especialistas concordem em um ponto: é preciso colocar o óleo de coco no centro de outros estudos antes de considerá-lo a última palavra no que diz respeito ao emagrecimento. "Outras variáveis devem ser investigadas e mais pesquisas são necessárias para corroborar a tese de que ele é mesmo um aliado da boa forma", diz Mariana Del Bosco, nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

Agora, quem quiser testar seus efeitos pró-emagrecimento antes que os pesquisadores batam o martelo deve se restringir a 2 colheres de sopa diárias. "Comece consumindo uma quantidade pequena para evitar desconfortos gastrointestinais como náuseas, cólicas e diarreia", indica Bruna Murta, nutricionista da rede Mundo Verde, na capital paulista.

As doses caem bem antes das principais refeições - para estimular logo a saciedade - ou adicionadas a saladas, pratos quentes, molhos, massas, sucos e shakes. Caso opte pelas cápsulas, saiba que são necessárias 12 delas para conquistar os possíveis efeitos de 1 colher de sopa do óleo de coco. Você decide.

Superbadalados

Os óleos que têm se tornado cada vez mais célebres por suas diversas propriedades nutricionais


 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Omega-3: Oléo de linhaça X Óleo de peixe - Qual a diferença entre ambos? São iguais?


Provavelmente todos já devem ter visto vender óleo de linhaça e óleo de peixe como  fonte de ômega-3. Se são fontes de ômega-3, então qual a diferença entre ambos? São iguais? 

O óleo de linhaça é rico no ômega-3 tipo ALA, enquanto o óleo de peixe é rico em DHA e EPA, compostos ativos do ômega-3.


Quando ingerimos linhaça triturada ou óleo de linhaça, estamos ingerindo uma alta dose de ALA, o qual, no interior do nosso corpo, é convertido em EPA e DHA, os quais são os princípios ativos e para quais são atribuídos diversas propriedades.  Presume-se que apenas 20% da quantidade total de ALA ingerida é convertida em DHA e EPA.


Mas afinal, quais são os benefícios promovidos pelo EPA e principalmente DHA?

- ação anti-inflamatória;

- ação imunomodulatória;

-  Melhora do perfil lipídico: redução do colesterol ruim (LDL) e aumento do bom colesterol (HDL);

- Redução do quadro de resistência à insulina (pré-diabetes);

- melhora da parte cognitiva (memória, capacidade de concentração);

- prevenção de câncer;

- prevenção de doenças cardiovasculares;

- atuação importante e melhora do quadro de doenças como esquizofrenia, epilepsia, depressão.


Como o óleo de peixe é rico em EPA e DHA, aos quais são atribuídos diversos benefícios, então o melhor seria optar pelo óleo de peixe?

Não necessariamente. Evidências recentes mostram que o óleo de linhaça, por ser rica em ALA, possui importante papel em reduzir sensibilidade, oleosidade e melhorar a constituição da pele, sendo indicada para indivíduos com psoríase e outros distúrbios que afetam a pele. Além disso, estudos também mostram que a administração de óleo de linhaça também é eficaz para melhorar perfil lipídico, previnir doenças cardiovasculares e aprimorar a parte cognitiva, como o óleo de peixe.



Uma observação importante: o fato de ingerirmos um precursor de EPA e DHA e não propriamente tais compostos isolados é uma vantagem, pois estimulamos as vias de produção de DHA e EPA (ou seja, estimulamos a cascata do ômega-3, como observado no esquema abaixo). E tal estimulação é fundamental para manter o bom funcionamento do corpo e de todas as reações do nosso metabolismo.



Em relação ao exercício, o suplemento que observamos mais estudos mostrando benefícios imunomoduladores, antioxidantes, anti-inflamatórios e papel importante no metabolismo de lipídios é o óleo de peixe, já que tais benefícios são atribuídos principalmente ao DHA e EPA.



Concluindo, AMBOS os suplementos ou alimentos-fontes (no caso, peixes e linhaça) têm vantagens, sendo de extrema importância AVALIAR antes o caso do indivíduo para oferecê-lo o suplemento e a dose que traga mais benefícios associados.




Drª Dafne Oliveira
Nutricionista
RUN&CARE - Saúde em Movimento
www.runandcare.com.br
Consultório: (11) 2369-1560
Celular: (11) 9197-035

 - Formada pela Universidade de São Paulo (USP)
- Especialista em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina – EPM/UNIFESP
- Pós-graduanda em Nutrição Funcional pela VP consultoria/UNICSUL
- Participação em livros como:
- Fitoterapia funcional – Valéria Paschoal Editora;
- Tratado de Nutrição Esportiva Funcional – Editora Rocca;
- Nutrição Funcional e Oncologia (ainda a ser publicado)
- Atuação na clínica Run&Care , especializada na saúde do atleta, onde atende diversos atletas olímpicos, amadores e praticantes de atividade física, focando principalmente nas modalidades natação e corrida.

 


Arquivo do blog